• Eric Kataoka

Aipim, macaxeira ou mandioca



A Manihot esculenta (conhecida popularmente como aipim, macaxeira, mandioca, entre outros nomes) é nativa da América do Sul e foi provavelmente domesticada pelos povos indígenas da região Amazônica. A planta é um arbusto que pode alcançar 3 m de altura e a parte que consumimos corresponde às raízes tuberosas, que acumulam amido e outros compostos de reserva. São essas reservas que nos alimentam. No entanto, além das raízes, as folhas também são utilizadas desde que muito bem preparadas, pois a mandioca faz parte da família Euphorbiaceae (a mesma da seringueira), cuja característica marcante é a presença de látex. Esse látex é tóxico aos animais porque contém compostos cianogênicos, estes, precursores de cianeto, uma substância que interfere na respiração celular e pode causar graves problemas de saúde. Felizmente, métodos de preparo como o cozimento e a fermentação são eficientes para reduzir a toxicidade da mandioca a níveis seguros.


Atualmente a mandioca está em destaque mundialmente, pois ela não contém glúten e é uma alternativa aos celíacos. Além disso, a relevância da raiz na alimentação humana é indiscutível, sobretudo em países em desenvolvimento, onde, em muitos casos, é a principal fonte de carboidrato da dieta. Características como tolerância à seca e manejo pouco exigente permitem que a mandioca seja cultivada em muitos lugares do mundo, principalmente em regiões tropicais. Nesse cenário, o Brasil é um dos grandes produtores mundiais, majoritariamente por meio da agricultura familiar e camponesa. Essa modalidade de produção, como o nome sugere, envolve mão-de-obra das famílias de agricultores em pequenas propriedades e é uma das responsáveis por abastecer a mesa da população brasileira. Ao consumirmos alimentos produzidos localmente, estamos incentivando e contribuindo para a manutenção dessa prática.


Nesse contexto, outra contribuição da agricultura familiar e do cultivo por populações tradicionais é o da conservação da diversidade genética. Em geral, os cultivares e/ou variedades plantadas em grandes propriedades são geneticamente homogêneos ou, em outras palavras, selecionados em especificidades que maximizam a produtividade. Ao longo do tempo, essas culturas podem ser dizimadas por pragas, uma vez que não possuem mais características que poderiam conferir algum tipo de proteção ou tolerância que estavam presentes nos ancestrais das variedades. E é aí que a diversidade genética entra em cena: variedades pouco selecionadas, selvagens ou espécies aparentadas, são verdadeiros berços de diversidade genética.

Esse é um assunto muito interessante, pois praticamente todos os alimentos que consumimos passaram por algum nível de seleção, mas a diversidade ainda persiste em cultivos tradicionais ou em institutos de pesquisa; tratarei de assuntos relacionados em textos futuros. Aguardem!


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