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Entrevistamos Eric Kataoka

Atualizado: 9 de mar. de 2023






Entrevistamos Eric Kataoka, o botânico que contribuiu no conteúdo do livro Flora Comestível do Brasil - receitas vegetarianas, confira a entrevista na íntegra:





Na sua opinião, qual a importância de valorizar as plantas brasileiras nas receitas?

Conhecer e consumir plantas nativas brasileiras em nossa dieta é um modo de valorizar e conservar a biodiversidade. Além dos benefícios de uma dieta diversificada, essa prática nos coloca em contato com o que é local e muitas vezes contribui para manter vivas tradições ao longo de gerações e garante que as variedades cultivadas não desapareçam.

Como o conhecimento de botânica pode auxiliar quem cozinha?

A botânica engloba muitos aspectos que podem ser diretamente aplicados na cozinha. Por exemplo, compreender o fato de que o desenvolvimento das plantas é sazonal nos permite respeitar a disponibilidade dos ingredientes ao longo do ano, e aproveitar os momentos em que determinadas plantas, ou partes delas, estarão no auge de “maturação”, garantindo bom sabor e textura.

Além disso, muitas plantas comestíveis são proximamente aparentadas entre si, o que indica que elas podem compartilhar propriedades, refletindo em usos culinários semelhantes e até a possibilidade de substituição e/ou adaptação em receitas. Por exemplo, os cormos de inhame (Colocasia esculenta) e taioba (Xanthosoma sagittifolium) são comestíveis e ambas pertencem à mesma família botânica.

Sobre a riqueza botânica do nosso país, você acha que hoje ela é valorizada?

O Brasil detém a maior riqueza de espécies de plantas do mundo, mas infelizmente ela não é valorizada na mesma magnitude da sua grandiosidade. Essa diversidade botânica provê muitas possibilidades, seja de uso alimentício, seja de uso medicinal; além de ser crucial na regulação do clima. Penso que a valorização da nossa flora deveria vir acompanhada de incentivos à conservação (como manter florestas em pé) e à condução de pesquisas científicas, pois assim poderíamos conhecer muito além do que sabemos hoje.

Qual a importância de conhecermos melhor os biomas brasileiros?

Conhecer e se aproximar de algo é o primeiro passo para desenvolver o senso de pertencimento e cuidado. Percebo que muitas vezes nos distanciamos da nossa biodiversidade, muito em decorrência do modo como nos constituímos enquanto sociedade. Nesse sentindo, penso que a importância de conhecer os biomas brasileiros está nas próprias consequências desse conhecimento, como a valorização e conservação dos biomas, uso sustentável dos recursos, além da disseminação de saberes a respeito do patrimônio desses biomas.

Qual mensagem você deixaria para os leitores e para as futuras gerações?

Minha bagagem como biólogo influencia diretamente a minha visão de mundo; visão essa que tem clareza de que somos parte de um todo que é integrado e interdependente. Nossas escolhas e decisões afetam esse todo, e acredito que o conhecimento nos empodera, liberta e, potencialmente, nos guia em direção a agir de modo consciente. Penso que isso é muito importante para as futuras gerações.

A todas as pessoas que nos leem, deixo algumas provocações: sejamos curiosos, experimentadores e disseminadores responsáveis de saberes. Curiosos e experimentadores em relação ao desconhecido, pois as descobertas e aprendizados decorrentes disso têm potencial de nos enriquecer e nutrir. E, por fim, disseminar de modo responsável os saberes adquiridos permite educar e manter viva a diversidade de costumes que nos constitui como seres humanos.


Eric Yasuo Kataoka é bacharel em Ciência Biológicas pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e mestre em botânica pela Universidade de São Paulo (USP). Possui experiência como autor e editor de conteúdo de Botânica e de Biologia e Ciências para a Educação Básica.


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